Dia 102: Que Deus te livre e guarde de todo o mal!
“Meus inimigos, porém, são muitos e poderosos; é grande o número dos que
me odeiam sem motivo. Os que me retribuem o bem com o mal caluniam-me porque é
o bem que procuro. Senhor, não me abandones! Não fiques longe de mim, ó meu
Deus! Apressa-te a ajudar-me, Senhor, meu Salvador!” Salmos 38.19-22
Lembro que uma vez era adolescente, estava andando na rua de casa,
tranquilo e um menino, que não tinha contato com ele, pego uma vassoura e
quebrou nas minhas costas com muita força! Eu era muito magro, mas ele mais
ainda, não entendi o motivo. Porém fiquei muito irado, tomei aquele menino pelos
braços, o joguei no chão e disse: “Vai pra sua casa e nunca mais faça isto!”
Como disse o salmista aquela pessoa me odiava sem motivo. Eu sabia que
ele tinha parentes que fazia parte de pessoas de má índole.
Nesta época eu morava no Bairro Santa Helena, em Governador Valadares, bairro
onde praticamente passei boa parte da minha infância, acredito que dos 10 aos
12 anos de idade, e depois alguns anos na adolescência.
Uma vez à noite, quando era criança, vi da janela do meu quarto que dava pra
rua uma briga de gangues, de um lado tinha uns rapazes com uma arma calibre 22
e do outro, uns com chinelos havaianas nas mãos. Fizeram disparos e era como um
faroeste ao vivo.
Quando estava iniciando meu ministério pastoral, estive por um período na
Igreja Batista Boas Novas auxiliando o Pastor Jorair, neste bairro, estávamos
numa semana onde nos preparávamos para receber um seminarista, meu aluno, que
iria pregar no domingo.
Numa segunda feira os adolescentes estavam ensaiando para o louvor no
domingo. Um "bad boy" sacou uma arma apontou para o rosto de um dos
meninos que esperava na frente da igreja e disse que iria matá-lo, que era o
fim dele. O menino assustado dizia: "Não sou fulano, meu nome é outro, não
tenho nada a ver com aquela pessoa!" Mas o sujeito vencido pelo ódio
tentou por duas vezes atirar contra o adolescente e a arma não funcionou, por
fim, seus olhos se abriram e viu que não era quem procurava e foi embora. Deus
deu o livramento para aquele adolescente.
Foi uma semana bem conturbada. Da casa pastoral ouvi tiros à noite por
vários dias. E no domingo quando já estava quase terminando a pregação do
seminarista, começaram os tiros do lado de fora da Igreja. Pedi aos diáconos
que fechassem as portas da igreja para proteger os irmãos.
Deus livrou aquele adolescente, posso ainda ver o olhar daquele menino
contando como foi passar por aquela situação! Lembro dos olhares, das cabeças
abaixando durantes o culto, pois estava na frente, sentado ao lado do púlpito.
O Salmista mostra uma sensação de abandono em meio a esta perseguição que
estava passando. E é assim que sentimos quando vivenciamos algo parecido!
Quando Jesus foi crucificado, morto na Cruz, sepultado, o sábado parece
que não passava. A sensação de morte e abandono era grande, imensa. Os
discípulos haviam sido dispersados. Outros buscavam estar juntos em oração.
Queria fazer algo, mas os guardas romanos estavam em prontidão no sepulcro
vigiando e os discípulos não podiam sequer chegar perto!
Imaginem como eram caluniados, zombados, escarnecidos: “Onde está Jesus
agora? Onde está o Teu Salvador?”
Nestes tempos de pandemia aqueles que são acostumados a estarem reunidos
com os irmãos em oração, em celebrações nas igrejas, estão sentindo muita
falta! O carinho, o abraço, o companheirismo. Alguns até tentam por vídeo, mas
nada substitui o amor expressado pelo calor humano e a oração comunitária.
Às vezes parece que estamos tão perto, mas tão longe! Poderíamos nos
reunir, mas e as consequências? Muitos clamam como o salmista: “Senhor, não
me abandones! Não fiques longe de mim, ó meu Deus! Apressa-te a ajudar-me,
Senhor, meu Salvador!” Salmos 38.21-22
De fato, Jesus é o nosso Salvador! Este tempo irá passar! Assim como
aquele sábado angustiante passou e muitos o chamam de sábado de aleluia, que
significa: louvado seja!
Haveremos de louvar ao Nosso Senhor pelos seus livramentos!
Haveremos de louvá-lo pelo seu cuidado!
Haveremos de louvá-lo pelo dia perfeito que nascerá em breve e o renovar
das esperanças!
Deus não está longe, de maneira nenhuma! Assim como a Sua Palavra Ele
está perto: “A palavra está perto de você; está em sua boca e em seu coração”.
Romanos 10.8
Oremos: “Meu Deus, nada se compara ao cuidado e os livramentos do Senhor!
Muitas vezes quando procuramos o bem, somos retaliados por outras pessoas que
procuram o mal! Mas o mal pode estar nelas, não em nós! Por um dia entregamos
nossas vidas ao Senhor e deixamos nossa velha natureza, para sermos vivificados
por Cristo e com Cristo! Socorre-nos, ajuda-nos! Que nestes tempos de aflição o
Senhor venha nos livrar e guardar de todo o mal, pois não temos outro Salvador
além de Ti! Oramos em Nome de Jesus, amém!”
Dr. Uanderson Pereira da Silva.

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